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quinta-feira, 29 de outubro de 2015

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Pronação dolorosa

     Recentemente atendi no consultório um paciente que teve provação dolorosa. No momento da lesão, esses pais ficaram muito assustados e imaginaram que necessitaria de uma abordagem mais invasiva do médico. Mas ficaram positivamente impressionados com a rápida resolução após o atendimento do ortopedista. Por isso, hoje decidi falar sobre esse tema. Mas achei mais apropriado que um ortopedista, especialista em doenças do ombro e do cotovelo, escrevesse sobre o assunto. Portanto, cedo espaço para o Dr César Luiz Betoni Guglielmetti.


     O cotovelo é uma articulação formada por 3 ossos: úmero, rádio e ulna. Entre eles existem ligamentos e a cápsula articular que conferem a estabilidade para que seu funcionamento ocorra de maneira adequada, isto é, que a congruência entre os ossos se mantenha apesar das cargas aplicadas sobre eles. 


     Também conhecida como "cotovelo da babá", a pronação dolorosa é uma lesão que ocorre no cotovelo de crianças. Na maioria das vezes a história é bem típica. Ocorre em situações em que um adulto para evitar uma queda ou em uma brincadeira ou para levantar a criança, a traciona pela mão ou pelo antebraço. Em alguns casos a história não é tão típica assim ou os cuidadores não estavam presentes no momento da lesão, percebendo apenas que a criança não está movimentando normalmente o membro. Quando ocorre essa tração excessiva no cotovelo, a cabeça do rádio pode deslocar, levando a uma luxação/subluxação (perda de sua congruência em relação ao úmero e à ulna). Tal lesão é mais frequente em crianças entre 18 meses e 4 anos, podendo também acontecer antes ou depois dessa faixa etária. Nessa idade existe uma frouxidão ligamentar aumentada nas articulações, fácil de se perceber pela alta flexibilidade das crianças e dos bebês. 
     No momento da luxação a criança sente dor importante e após alguns minutos a dor está presente apenas quando movimenta o braço. Assim ela tende a deixar o braço imóvel ao lado do corpo. É nesse momento que os cuidadores da criança percebem que algo está errado, que não foi apenas dor e que será necessária avaliação médica. O mais indicado a se fazer é levar com urgência a criança para passar com um ortopedista.
     O tratamento é simples. Após o ortopedista afastar a presença de fraturas e de lesões neurológica ele realiza uma manobra de redução que traz a cabeça do rádio de volta ao seu lugar. A dor cessa e os movimentos voltam normalmente em alguns minutos. Em geral a manobra gera pouca dor e não tem necessidade de ser reallizada com anestesia ou sedação. Em raros casos ao ocorrer a luxação, o ligamento anular, um dos responsáveis pela estabilização da cabeça do rádio, pode ser machucado. Nesses casos a criança irá permanecer com dor apesar da posição adequada do osso, sendo indicado imobilizaçao com tala. Após 1 semana a criança deverá ser reavaliada.
     A pronação dolorosa é uma doença benigna e não costuma deixar sequelas. Algumas crianças cursam com pronações dolorosas de repetição, devendo os cuidadores receberem orientações sobre como prevení-la.

Créditos: Dr César Luiz Betoni Guglielmetti (CRM 130301)
                Ortopedista e Traumatologista especialista em Ombro e Cotovelo
                www.cesarbetoni.com

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Meu bebê pode tomar suco?

Todas as mães conhecem a importância do leite materno oferecido de forma exclusiva até os 6 meses. Esse é um assunto amplamente divulgado, mas e passado os 6 meses? Qual é a mãe que não fica ansiosa com a perspectiva de oferecer a primeira frutinha, a papa salgada e... o suquinho de laranja lima? Pois é, atualmente não se recomenda o consumo de suco de frutas naturais para as crianças menores de 1 ano. Tanto a Academia Americana de Pediatria quanto a Sociedade Brasileira de Pediatria recomendam fortemente a ingestão de água e que a fruta deve ser oferecida in natura (seja ela amassadinha ou em pedaços conforme a técnica BLW). Daí vem a clássica pergunta: mas qual o problema se sempre foi dado suco para os bebês? Verdade, os sucos eram a vedete da introdução alimentar, mas a medicina vive em constante avanço e descobriu-se que o suquinho não faz assim bem para a saúde. Estudos mostraram que esse consumo está associado a um risco maior de obesidade e de diabetes tipo 2. Um estudo publicado em 2013 no British Medical Journal mostrou que o consumo diário de suco de frutas (um ou mais copos) eleva em até 21% o risco de desenvolver diabetes tipo 2. Segundo o mesmo estudo, o consumo frequente de frutas inteiras (ao invés do suco) reduz o risco da diabetes tipo 2 em 7%. Estão aqui alguns motivos pelo qual o suco não é um alimento adequado para os nossos pequenos bebês.
Em primeiro lugar, quando uma mãe prepara um suquinho, para conseguir alguns mililitros é necessário utilizar várias frutas. Por exemplo, pra fazer um suco de laranja lima, vão algumas unidades da laranja. Assim, concentra-se bastante a quantidade do açúcar da fruta, a frutose. Isso significa que para dar uns 60ml de suco, estamos oferecendo uma quantidade bem grande de frutose.
Em segundo lugar, o suco hidrata menos do que a água. Muitas mães acreditam erroneamente que por oferecer suco, a criança não necessita de água.
Em terceiro lugar, normalmente os sucos são dados na mamadeira. Mas para que não entupa o bico, as mães costumam a coar o suco. Com isso, todas as fibras são jogadas no lixo.
Em quarto lugar, o suco acrescenta muito pouco nutricionalmente, mas aumenta bastante o risco de cáries.
Então quer dizer que o bebê não pode tomar suco de forma alguma? Não é bem por aí. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, os sucos devem ser evitados, mas se forem administrados, que sejam oferecidos em copo, após as refeições e no máximo 100ml/dia para melhorar a absorção do ferro presente nos alimentos.
Portanto, se a vontade de dar suco for muito grande, lá vão algumas dicas importantes:
1. Não dê na mamadeira. Utilize um copo de transição ou copo infantil mais adequado para o seu filho.
2. Nada de coar. Deixe seu filho ingerir as fibras que as frutas nos oferecem. O intestino dele, com certeza, agradecerá.
3. Tente respeitar a quantidade de fruta que seu filho normalmente comeria. Se é suco de laranja e ele chuparia meia laranja, faça com meia a uma laranja.
4. Nunca, nunca mesmo, adicione açúcar ao suco. Também não ofereça sucos artificiais ou de caixinha.
5. Não se esqueça de oferecer água ao longo do dia. Comendo papa salgada, a necessidade de beber água existe.
6. Não substitua uma refeição pelo suco de frutas.
7. Está comendo fruta e papa? Não se esqueça de higienizar a boca do seu filho, seja escovando os dentes ou limpando as gengivas, língua e céu da boca.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Vantagens do aleitamento materno

O leite materno é o alimento mais completo que existe para o bebê até o sexto mês de vida. Dessa forma, é recomendação das principais entidades pediátricas e da Organização Mundial de Saúde o aleitamento materno exclusivo nos 6 primeiros meses de vida. Isso significa que não há necessidade de oferecer água, chá, fruta ou outros alimentos nessa fase.
O leite materno, por ser composto por proteína humana, é fácil de digerir. Sua composição é adequada para o desenvolvimento dos órgãos do bebê, principalmente os rins e os intestinos. Assim, não leva a sobrecarga desses órgãos. Dessa forma, um bebê que mama adequadamente, tem urina clara e em grande quantidade. O aleitamento materno, também reduz o risco de alergia a proteínas estranhas, como a do leite de vaca.
Por possuir células de defesa (principalmente no colostro), o leite materno protege os bebês contra doenças.
Sua praticidade é inegável, já que vem pronto, na temperatura adequada e está disponível a qualquer momento. Além disso, não tem custo financeiro.
A amamentação alimenta não apenas o bebê, mas o vínculo mãe-filho, já que envolve carinho, trocas de olhares... é um momento exclusivo do bebê e da mamãe.
Para a mãe, amamentar promove maior perda de peso, com mais rápida recuperação do peso pré-gravídico. É responsável também pela redução de sangramento após o parto, além de retardar o retorno da menstruação.
Fica claro que não faltam motivos para se oferecer leite materno a um bebê. 


quinta-feira, 16 de julho de 2015

Monilíase oral

A monilíase oral também é conhecida como candidíase oral ou “sapinho”. É caracterizada por placas brancas na boca e na língua, principalmente nos menores de 6 meses (sendo bastante frequente nos recém-nascidos).  Essas placas são dolorosas, levando a irritabilidade, choro e dificuldade de mamar nos bebês. Frequentemente é confundida com acúmulo de leite, mas ao se realizar a higiene oral, essas placas estão bem aderidas e saem com dificuldade, deixando o local avermelhado podendo, inclusive, sangrar.



A monilíase é uma infecção fúngica causada pela Candida albicans. Esse fungo está presente na nossa flora e causa infecção quando há um desequilíbrio da flora bacteriana. Isso pode ocorrer por doenças, uso de antibióticos, estresse, bem como no uso de bicos artificiais (mamadeira e chupeta), absorventes de seio de algodão e má higiene bucal. Logo, uma das melhores maneiras de se evitar o sapinho é manter a higiene adequada da boca do bebê, realizar trocas frequentes do absorvente de seio (a combinação da umidade com o leite e o calor torna esse ambiente propício para o crescimento de fungos) e manter os mamilos secos e arejados entre as mamadas, evitar bicos artificiais ou mantê-los bem higienizados e esterilizados.

O tratamento da monilíase oral envolve o uso de antifúngico e manutenção da higiene oral. Portanto, se você notar esse tipo de placa branca na boca do seu filho, entre em contato com o pediatra para o tratamento adequado e efetivo.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Minha barriga dói!!!

     Por solicitação de uma mãe, vamos falar hoje sobre dor abdominal. Esse é um tema muito frequente nos livros e nos consultórios de pediatria. Tão frequente mesmo que o estranho é não ter paciente em idade escolar que a mãe não traga a queixa de "ele(a) reclama sempre de dor de cabeça, barriga e/ou nas pernas". No caso da dor abdominal, a pergunta seguinte é "a senhora acha que pode ser verme?".
     Estamos falando hoje sobre as dores recorrentes da infância, sendo a dor abdominal, em membros e cefaléia as mais prevalentes. Como normalmente as queixas são vagas e, principalmente, subjetivas, sua abordagem também não é tão simples assim. A dor abdominal recorrente foi definida em 1958 como "ocorrência de pelo menos 3 episódios de dor durante um período de pelo menos 3 meses, com intensidade suficiente para interferir nas atividades habituais da criança. Ela pode ter causas orgânicas ou psicossociais. As causas orgânicas podem ser de origem gastrointestinal (constipação crônica, doença inflamatória intestinal, intolerância a lactose, parasitose intestinal, refluxo gastroesofágico, doença celíaca, úlcera péptica, gastrite, alterações funcionais, aerofagia), urinárias (infecção do trato urinário, cálculo renal), ginecológicas (cólicas menstruais, cisto de ovário, doença inflamatória pélvica) e sistêmicas.
     Apesar de trazer grande angústia aos pais, a dor abdominal recorrente tem baixa chance de estar associada a alguma causa orgânica, isto é, doença física.



     Mas o seu diagnóstico é de exclusão, sendo necessário uma boa anamnese, exame físico e alguns exames complementares.
     É necessário caracterizar a dor quanto a sua frequência, intensidade, desencadeantes, fatores de melhora e de piora e se há queixas de outras dores recorrentes associadas. É importante avaliar se existe na família alguém com queixa de dor ou doença crônica. Se o relacionamento com pais, irmão, amigos e escola está tranquilo. É interessante também observar qual a reação dos pais e da família frente à queixa de dor.
     É importante avaliar se há algum sinal de alerta. São eles:
  • dor fixa em região longe do umbigo,
  • dor intensa que acorda a criança no meio do sono,
  • sinais sugestivos de doença como a perda de peso, parada ou desaceleração do cresicmento, febre recorrente, vômitos importantes, aumento do volume abdominal, diarréia crônica, sangramento gastrointestinal, dores articulares,
  • história familiar de anemia falciforme, úlcera péptica, doença inflamatória intestinal e doença celíaca
     Na ausência de sinais de alerta e com exame físico normal, torna-se desnecessário a realização de exames invasivos e onerosos. Dessa forma, se o seu filho reclama constantemente de dor de barriga mas não apresenta sinais de alerta, saiba que essa queixa é normal e que dificilmente estará associada a alguma doença grave (principal preocupação dos pais). Mas lembre-se de comentar sobre essa queixa na próxima consulta com o pediatria do seu filho, especificando aquelas informações importantes (frequência, intensidade, localização da dor, desencadeantes, fatores de melhora e de piora).

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Refluxo gastroesofágico

O que é?

     O refluxo gastroesofágico é o retorno dos alimentos e líquidos do estômago para o esôfago, causado pelo relaxamento de uma válvula que fica entre esses dois órgãos. A forma mais frequente de refluxo ocorre em bebês antes dos 6 meses de idade e se manifesta por meio de regurgitações ("golfadas") acompanhadas ou não de vômitos. Quando ocorre em crianças que ganham peso adequadamente, sem sinais de desnutrição, é chamado de refluxo fisiológico. Ele tende a desaparecer à medida que as crianças passam a receber alimentos mais espessos, o que acontece a partir dos 6 meses de idade. Quando o refluxo acontece em número, duração e quantidades maiores que o permitido causando prejuízos à criança, ele é chamado de doença do refluxo gastroesofágico.



Como se manifesta?

     A doença do refluxo gastroesofágico pode se manifestar nos bebês por meio de chiado no peito, prolongado ou repetido. Pode ser acompanhado ou não por vômitos, o que pode causar inflamação do esôfago (esofagite) com manifestações como irritação, falta de apetite e baixa ganho de peso. Mas que fique claro que irritação em bebê não é causado apenas por esofagite.
     Nas crianças maiores e adolescentes os sintomas podem ser vômitos, azia, enjôo, queimação no peito ou dor na "boca do estômago". Neles, o refluxo pode estar associado à asma, tosse crônica, laringite, amigdalite, faringite, otite, rouquidão e pigarros. É importante ressaltar que esses sintomas são os mesmos que ocorrem em outras doenças como nas infecções e nas alergias.


Como tratar?

     Em relação aos bebês que regurgitam ou vomitam sem outros sintomas, os pais devem ficar tranquilos de que não é necessário nenhum tratamento com medicamentos, mas somente cuidados com a alimentação e postura adequada para deitá-los. Por outro lado, quando os sintomas sugerem inflamação do esôfago, ou quando a criança apresenta problemas respiratórios que possa sugerir doença do refluxo gastroesofágico, o tratamento deve ser feito com modificações na dieta e na postura para deitá-los, além de medicamentos. Vale mencionar que nenhum tratamento irá curar o refluxo e sim evitar suas complicações. 
     
     Medidas dietéticas: para os bebês em aleitamento materno é importante seguir as orientações de amamentação garantindo uma pega adequada. Para os que recebem fórmula infantil (NAN, Aptamil, Nestogeno, Enfamil, entre outros), as mamadas podem ser fracionadas, levando um volume menor de leite ao estômago do seu filho por mamada, mas diminuindo o intervalo entre elas. Deve-se evitar deitar o bebê nos primeiros 30 minutos pós mamada. Existem também as mamadeiras com válvulas anti-cólica que reduzem a quantidade de ar engolido durante as mamadas. O leite engrossado pode ser indicado em casos especiais. Nas crianças maiores, deve-se evitar refeições noturnas volumosas com alimentos gordurosos, cítricos e líquidos gasosos.

     Medidas posturais: recomenda-se deitar seu bebê em berço sem protetores, cobertores, ursinhos e afins. É recomendado o decúbito elevado e dorsal, isto é, de barriguinha para cima. Essas medidas são importantes para reduzir o risco de broncoaspiração e fazem parte das recomendações para prevenção da Síndrome da Morte Súbita do Lactente.

     Tratamento medicamentoso: os remédios devem sempre ser indicados pelo pediatra. Existem remédios que aceleram o esvaziamento do estômago e outros que reduzem a acidez gástrica, mas não ofereça ao seu filho nenhuma medicação sem a recomendação do seu pediatra de confiança!!

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Xixi com "sangue" na fralda?

     Sim, consigo até imaginar o desespero que foi abrir a fralda do seu neném e encontrar uma manchinha rosada/avermelhada ou algumas delas na fralda. A cor mais precisa é de tijolo ou ferrugem. "É sangue, doutora?". Pois se acalme, respire fundo e leia a seguir.
     Nos primeiros dias de vida os bebês eliminam na urina os critais de urato que deixam manchas simulando sangue nas fraldas. Isso é normal e esperado!! Normalmente essas manchas não aparecem em todas as trocas de fraldas e são facilmente removidas com água. Caso ela não saia lavando, converse com o seu pediatra.

sábado, 24 de agosto de 2013

Língua presa

     Outro questionamento frequente no consultório é a respeito da "língua presa". A anquiloglossia, chamada popularmente de língua presa, é uma condição onde o freio lingual (prega que temos embaixo da língua) é encurtada ou tem inserção anteriorizada. Ela acomete de 1,7 a 4,4% dos recém-nascidos sendo 4 vezes mais frequente nos meninos.



     A anquiloglossia é evidenciada quando a criança não consegue colocar a ponta da língua para fora da boca ou quando é possível, a língua fica fendida com formato de coração. Tanto o diagnóstico quanto o tratamento é controverso entre pediatras, otorrinolaringologistas, odontopediatras, fonoaudiólogos e cirurgiões pediátricos. Isso porque apesar de relativamente comum entre os recém-nascidos, a anquiloglossia é pouco frequente nos adultos, estimando-se a ocorrência de 2 a 3 casos a cada 10.000 indivíduos. Acredita-se que isso aconteça nos casos leves, onde o crescimento da língua diminua a extensão da anquiloglossia.
     A anquiloglossia pode levar à dificuldade de sucção, mastigação e deglutição por diminuir os movimentos linguais dada restrição do freio curto. Pode provocar também alterações da fala, causando dificuldade na articulação de alguns sons, principalmente o "R" e o "L". Seria como tentar falar palavras com essa letras (lápis, livro, caro...) sem mexer a língua. Difícil, né?
     O tratamento é cirúrgico e consiste na remoção do freio ou na frenectomia ("pique" no freio), liberando assim a movimentação da língua.
     É importante lembrar que a "língua presa" não é a única patologia que leva a alterações na fala. Surgiu a dúvida? Converse com o seu pediatra.


terça-feira, 13 de agosto de 2013

Canhoto?

     Até os 3 a 4 anos as crianças utilizam indistintamente as duas mãos. Com o passar do tempo, a preferência por um dos lados é nítida. A lateralidade é definida por volta dos 6 anos de idade, quando a criança utiliza mais os membros direitos (destro) ou os esquerdos (canhoto) nas mais diversas funções. Em parte, ser canhoto é determinado pela genética, onde o hemisfério direito do cérebro é dominante.
     Saiba que não há absolutamente nada errado com o seu filho canhoto. Muito pelo contrário, ele ganhou até um dia especial para comemorar essa "escolha". Portanto, 



FELIZ DIA DO CANHOTO!!!!

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Anemia ferropriva

     A anemia é o reflexo da diminuição de uma substância no interior dos glóbulos vermelhos do sangue, a hemoglobina. Essa substância é responsável por diversas ações no organismo, entre eles o transporte do oxigênio inspirado para os tecidos e órgãos. A anemia pode ter diversas causas, sendo uma delas a por deficiência de ferro (ferropriva).
     A anemia ferropriva é a principal carência nutricional no Brasil e chega a atingir mais de 50% das crianças menores de 2 anos. Por esse motivo foi firmado pelo Ministério da Saúde em 1999 uma parceria com a sociedade civil e científica o "Compromisso Social pela Redução da Anemia Ferropriva no Brasil", onde algumas medidas foram adotadas:
  • fortificação obrigatória da farinha de milho e trigo com ferro e ácido fólico,
  • suplementação medicamentosa universal de ferro para os grupos vulneráveis,
  • orientação nutricional e alimentar direcionada para alimentação saudável.
     Outras medidas são de extrema importância para a prevenção da anemia ferropriva como:
  • aleitamento materno exclusivo até os 6 meses e complementar até os 2 anos,
  • leite de vaca integral contra-indicado para crianças menores de 1 ano,
  • leite de vaca integral indicado para crianças maiores de 1 ano com consumo máximo de 700ml por dia,
  • utilização da carne na alimentação complementar desde o início por ser excelente fonte de ferro de elevada biodisponibilidade.

     E qual a importância do ferro? O ferro é um micro-mineral essencial para o desenvolvimento da criança. Ele participa de vários processos metabólicos em nosso organismo e, consequentemente, a sua deficiência leva a diversas manifestações, podendo causar, em última instância, o desenvolvimento da anemia ferropriva. Nas crianças pequenas (lactentes) pode causar comprometimento do desenvolvimento cognitivo, do padrão do sono, da memória e do comportamento, repercutindo a longo prazo com menor desempenho escolar e distúrbios da aprendizagem. São sintomas: palidez, dor de cabeça, tontura, desânimo, cansaço fácil, sopro cardíaco, palpitações, falta de ar, perda de apetite, tristeza, falta de sono e de concentração, perverções alimentares (comer gelo, terra, sabão), entre outros. Mas lembre-se, nenhum desses sintomas é específico da anemia, ou seja, se seu filho estiver mais tristinho e desanimado a anemia não é a única resposta para os sintomas dele!!



Dicas
1. Alguns alimentos são facilitadores da absorção do ferro e devem ser ingeridos junto às refeições de sal como carne, frutas cítricas (laranja, limão, abacaxi, morango, tangerina, acerola, maracujá, goiaba) e ovos.

2. Alguns alimentos, por sua vez, são dificultadores da absorção do ferro e deve-se evitar o seu consumo junto às refeições de sal assim como chá, leite, excesso de cereais e fibras.

3. Aqui vão alguns alimentos que são ricos em ferro: carne vermelha, caldo de carne caseiro, peixe, gema de ovo, feijão, lentilha, ervilha, beterraba, folhas verdes.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Birra

     Quem nunca viu uma criança jogada no chão chorando enquanto os pais olhavam perplexos a cena e pensou "ahhh, se fosse meu filho"?? Não existe solução mágica ou remédio para isso. Educar filhos é realmente muito trabalhoso e exige boa dose de paciência. Mas sinalizar ao seu filho que a birra funcionou e dar a ele aquilo que lhe foi negado para acabar logo com o escândalo não é recomendável. A criança aprende e começa a utilizar este artifício frente a frustrações. 
     Vi um vídeo muito interessante da psicóloga infantil Daniella Freixo de Faria que gostaria de compartilhar com vocês.



quarta-feira, 31 de julho de 2013

Volta às aulas...

     Depois de muita diversão, brincadeiras, televisão, video-game e dormir e acordar mais tarde, as aulas recomeçarão!! E como preparar o seu filho para a volta às aulas? Aqui vão algumas dicas:




1. Ajude-o a organizar o material escolar e a mochila. Você pode reencapar cadernos que já possuía, reparar lápis, estojo e mochila. Pequenas mudanças aumentam a motivação da criança para utilizar esse material. Você se lembra da sensação de ir à escola com um material renovado e diferente?

2. Organize o local de estudo. Para ter vontade de estudar, a criança precisa de um local aconchegante. É importante também verificar a luminosidade do local. Se já tiver uma escrivaninha ou mesinha de estudo, ajude-o a reorganizá-la. Caso seu filho ainda não tenha um cantinho de estudo, esta é uma excelente oportunidade para providenciá-la.

3. Relembre o seu filho de como a escola é legal falando sobre os amiguinhos, professoras e atividades preferidas. Assim, ele se lembrará de como também é divertido ir à escola.

4. Volte gradualmente à rotina. Nada de mudanças abruptas! Uma semana antes de voltar à escola, diminua gradativamente o tempo de televisão e vídeo-game. Aos poucos, acorde-o mais cedo e faça atividades relaxantes e calmas próximas do horário de dormir.

     Apesar de curtas, as férias de junho quebram (ainda bem) a rotina do seu filho. Portanto, mãos à obra para que ele não associe o fim das férias com o final de toda diversão!!! E boas aulas!!!!

domingo, 21 de julho de 2013

Bebê enxerga?

     - Doutora, eu tenho mais uma dúvida: meu filho me enxerga direito?
     Em todas as primeiras consultas ouço essa pergunta, com uma certa timidez, mas ela sempre aparece. 
     Quando o bebê nasce, sua visão ainda não está completamente formada. A visão amadurece gradativamente tanto no tamanho do olho quanto nas conexões com o sistema nervoso central. A cada mês a visão torna-se mais nítida.
     Assim sendo, ao nascimento, a visão é meio embaçada. O recém-nascido é capaz de distinguir luz, formas e movimentos. Ele tem preferência por formas redondas e imagens com bastante contraste. Ele enxerga bem imagens a uma distância de 20 a 30cm, mais ou menos a distância do rosto da mãe durante a amamentação. O recém-nascido tem dificuldade de alinhar coordenadamente os olhos. Dessa forma, é comum vê-lo vesguinho.
     A partir dos 2 meses de vida, o bebê começa a notar a diferença entre as cores, tendo preferência pelas primárias e fortes. Sua visão tem alcance de 50cm. O bebê nessa idade já fixa o olhar com facilidade, focando em objetos e tenta acompanhar movimentos.
     No 4º mês ele adquire a capacidade de percepção de profundidade e de reconhecer pessoas. A partir do 8º mês, o bebê enxerga praticamente tudo.



DESCONTRAINDO

     Quer visualizar como o seu filho te vê? O Tiny Eyes permite que você coloque a imagem que deseja ver e acompanhe a evolução da visão do seu filho ao longo dos meses. Boa diversão.

domingo, 14 de julho de 2013

Brinquedos de aluguel

     Seu filho possui uma infinidade de brinquedos espalhados pela casa e para os quais não dá mais bola? Existem lojas que fazem plano de aluguel de brinquedos. Você faz a assinatura por no mínimo um mês e seu filho tem direito de escolher os brinquedos que deseja e pelo tempo que quiser. Quando o brinquedo perder a graça, é só trocar por outro. O Clube do Brinquedo em São Paulo cobra a mensalidade de R$ 75 e dá direito a 2 brinquedos por 30 dias. No Rio Grande do Sul tem a Brinque Troque com mensalidade de R$ 80. A Joanninha atende toda a Grande São Paulo com frete grátis e sua mensalidade é de 80 a 150 reais que é convertida em 6 "moedas", podendo ser trocadas por até 6 brinquedos. Todos funcionam no sistema de entrega em casa. Boa diversão!!!!

sábado, 13 de julho de 2013

Um pouco mais de 365 segundos

Momento de descontração...

     Pais fazem um vídeo com 1 segundo de cada dia do primeiro ano de vida de seu filho, Indigo. O vídeo tem duração um pouco maior que 365 segundos e é lindo do começo ao fim. Divirtam-se.


quinta-feira, 11 de julho de 2013

Notícia

     Chicco, Burigotto e Peg-Pérego convocam recall de 13 mil cadeirinhas de bebê para carro!! Confiram a notícia no link http://oglobo.globo.com/defesa-do-consumidor/chicco-burigotto-peg-perego-convocam-recall-de-13-mil-cadeirinhas-de-bebe-para-carro-8997068.

Convulsão febril em crianças

     Em tempos de frio, doenças febris são bastante frequentes em crianças de todas as idades. Sempre vi mães extremamente aflitas com o risco de filhos convulsionarem por causa de febre alta.
     Aqui vai um vídeo bastante esclarecedor do Hospital Albert Einstein onde a Dra Milena de Paulis dá orientações a respeito dessa entidade e como proceder.



sábado, 6 de julho de 2013

Andador, pode?

     OK, a gestação está estabelecida e o sexo do bebê já é conhecido. A barriga está ficando enorme e eis que surge o chá de bebê. Dá para contar nos dedos quantas mães não ganharam de pessoas queridas o tal do andador. Os motivos para se presentear com esse objeto são vários... o bebê ganha mais mobilidade, gasta energia, aprende a andar mais rápido... e sempre extremamente bem intencionados. Acontece que o andador vem sendo combatido pelos pediatras há tempos. Mais recentemente, a Sociedade Brasileira de Pediatria iniciou campanha para abolir os andadores.
     Primeiramente, os andadores não fazem as crianças gastarem mais energia, uma vez que ao conferir maior mobilidade, basta dar um pequeno impulso com os pés para que ele deslize longe. Em segundo lugar, o andador atrapalha o desenvolvimento da marcha, podendo levar mais tempo para seu filho ficar em pé e caminhar sem apoio. Estudos mostram que as crianças sujeitas ao andador engatinham menos e têm escores inferiores nos testes de desenvolvimento.
     Mas o que transforma o andador em um objeto de perigo é o risco aumentado para traumas. Ele pode atingir a velocidade de 1m/s o que, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, equivale a "entregar a chave do carro a um guri de dez anos". O andador pode "enroscar" em absolutamente qualquer objeto ou irregularidade do chão, como tapetes, sapatos, pés de cadeiras e afins. Quando o bebê está no chão engatinhando ou andando com apoio, sua queda envolve baixa energia, já que não conta com velocidade e nem altura. Mas quando uma criança cai do andador, ela normalmente está deslizando com o aparelho e ao se prender, ocorre um movimento rotacional que potencializa a queda. Ainda pior... a criança cai batendo a cabeça. Isso se não entrarmos no mérito de quedas de escada  e degraus com o andador. Dados da Academia Americana de Pediatria apontam que 10 atendimentos de cada 1000 crianças menores de 1 ano em serviços de emergência são causados por queda de andador, sendo que 1/3 das lesão são graves, geralmente fraturas ou tramas exigindo internações. Mais ainda, estudos mostram que 70% das crianças que sofreram traumatismos com andador estavam sob a supervisão de um adulto.



     Não é por menos que em abril de 2007 o Canadá proibiu a fabricação e venda desse equipamento. Entretanto, no Brasil a fabricação de andadores é legalizada e basta passar na frente de qualquer loja de artigos para bebês que veremos alguns modelos expostos na vitrine. Assim, podemos apenas contar com o bom senso dos pais de não permitirem que seus filhos se exponham a tal risco. Portanto, se ganharem um andandor de presente, agradeçam, porque provalvemente a intenção foi a melhor, mas troque na loja por algum outro artigo que traga benefícios ao seu filho sem tantos riscos.
     Logo, minha resposta a pergunta do início é NÃO, andador não pode!!!

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Au-aus e bebês

   Recentemente, ao dar alta para bebês internados em uma unidade de terapia intensiva neonatal em que trabalho, fui questionada quanto a segurança e viabilidade de se ter cachorros com filhos recém-nascidos e pequenos.
    Encontrei uma reportagem interessante sobre o assunto que compartilharei a seguir:

Amigos para sempre




     Criança e animal de estimação é uma dupla infalível, ninguém duvida disso. Os bichinhos são companheiros, estimulam a afetividade dos pequenos que começam a exercitar a responsabilidade e o respeito pelo outro. Mas para que tudo isso aconteça e eles se transformem em grandes amigos, é preciso ter todo o cuidado do mundo na hora de apresentá-los e iniciar essa relação. E aí a gente precisa ajudá-los adotando algumas táticas.

     Muitos especialistas recomendam que, mesmo antes de chegar em casa com o bebê direto da maternidade, é importante levar uma pecinha de roupa, uma manta ou uma fralda usada para o animal farejar. O olfato do cachorro é muito desenvolvido, e isso vai ajudá-lo a se familiarizar com o novo integrante da família. Ao entrar em casa, deixe o bebê no colo do pai e cumprimente o bichinho, que vai estar excitado com a sua volta - afinal você ficou ausente alguns dias e ele sentiu isso.

Muito prazer! 

     Quando você se sentar em uma cadeira com o bebê no colo, amamentando por exemplo, certifique-se de que alguém esteja controlando os movimentos do cachorro. Cubra a cabeça do bebê com a mão para protegê-lo de qualquer aproximação bruta do animal. E nunca coloque o pequeno no chão. Ao mesmo tempo, converse com o cão num tom de voz calmo e bem natural, acariciando-o e afagando-o. Se ele não mostrar qualquer comportamento agressivo, você pode lentamente deixá-lo olhar e cheirar o bebê - mas não lamber. Até porque lamber não é higiênico e ainda pode criar uma situação propícia a uma mordida. Tudo correndo bem? Ótimo, mas mantenha-o na coleira quando estiver próximo do bebê nas primeiras três semanas e observe seu comportamento.
     Os bichos podem ser muito ciumentos. Para descobrir se seu cão está sofrendo com a chegada de seu filho, observe se ele anda mordendo pés de meses, arranhando cadeiras e sofás, rosnando mais do que o normal ou ainda se tem recusado a comida. Diante dessas atitudes, seja firme, diga "não"quando necessário e premie suas reações positivas. Animais muito jovens ou muito velhos exigem ainda maior vigilância - os filhotes têm muita energia e os velhinhos competem pelo seu afeto.

Conquista aos poucos 

     Depois de três semanas, se tudo tiver corrido bem, está na hora de voltar a incluir o seu cachorro na rotina diária da casa. Agora ele já demonstrou que pode acompanhar os cuidados com o bebê - hora da papinha e troca de fralda. Não deixe jamais de lhe dar atenção e carinho o tempo todo e lembre-se de levá-lo para passear na rua.
     Mesmo que a situação pareça sob controle, continue observando sempre e não deixe os dois sozinhos no mesmo ambiente durante os dois primeiros anos. Seu bebê logo vai começar a engatinhar e a andar, vai cambalear e cair, o que pode assustar o cão. Mas seu filho vai também observar o que você faz, como você acaricia o bichinho e fala com ele. Mostre desde cedo aos dois que eles deve se respeitar. Ensine ao pequeno que não deve colocar as mãos na boca e nos olhos do bicho nem puxá-lo. Com o tempo, ensine-o a colocar água e comida na tigela e oferecer ao pet, o que vai, aos poucos, estreitando os laços entre eles. Afinal, amizade verdadeira leva tempo, e isso vale para pessoas e animais também.
Fonte: Revista Pais & filhos - edição de junho/13



     Vale sempre lembrar que os cães devem estar com as vacinas em dia, além dos cuidados de higiene e controle de pulgas. Cuidados com pêlos, urina e fezes, especialmente naquela fase em que os bebês engatinham e levam tudo à boca. Apesar de todo trabalho, é inegável que criar um filho com animal de estimação em casa permite que ele aprenda a respeitar, compartilhar e integrar-se a um outro ser. Além do mais, nada mais delicioso do que ver o seu filhotinho se tornando um grande amigo do seu outro filhote. Portanto, mãos a obra e boa sorte!!!