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segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Pronação dolorosa

     Recentemente atendi no consultório um paciente que teve provação dolorosa. No momento da lesão, esses pais ficaram muito assustados e imaginaram que necessitaria de uma abordagem mais invasiva do médico. Mas ficaram positivamente impressionados com a rápida resolução após o atendimento do ortopedista. Por isso, hoje decidi falar sobre esse tema. Mas achei mais apropriado que um ortopedista, especialista em doenças do ombro e do cotovelo, escrevesse sobre o assunto. Portanto, cedo espaço para o Dr César Luiz Betoni Guglielmetti.


     O cotovelo é uma articulação formada por 3 ossos: úmero, rádio e ulna. Entre eles existem ligamentos e a cápsula articular que conferem a estabilidade para que seu funcionamento ocorra de maneira adequada, isto é, que a congruência entre os ossos se mantenha apesar das cargas aplicadas sobre eles. 


     Também conhecida como "cotovelo da babá", a pronação dolorosa é uma lesão que ocorre no cotovelo de crianças. Na maioria das vezes a história é bem típica. Ocorre em situações em que um adulto para evitar uma queda ou em uma brincadeira ou para levantar a criança, a traciona pela mão ou pelo antebraço. Em alguns casos a história não é tão típica assim ou os cuidadores não estavam presentes no momento da lesão, percebendo apenas que a criança não está movimentando normalmente o membro. Quando ocorre essa tração excessiva no cotovelo, a cabeça do rádio pode deslocar, levando a uma luxação/subluxação (perda de sua congruência em relação ao úmero e à ulna). Tal lesão é mais frequente em crianças entre 18 meses e 4 anos, podendo também acontecer antes ou depois dessa faixa etária. Nessa idade existe uma frouxidão ligamentar aumentada nas articulações, fácil de se perceber pela alta flexibilidade das crianças e dos bebês. 
     No momento da luxação a criança sente dor importante e após alguns minutos a dor está presente apenas quando movimenta o braço. Assim ela tende a deixar o braço imóvel ao lado do corpo. É nesse momento que os cuidadores da criança percebem que algo está errado, que não foi apenas dor e que será necessária avaliação médica. O mais indicado a se fazer é levar com urgência a criança para passar com um ortopedista.
     O tratamento é simples. Após o ortopedista afastar a presença de fraturas e de lesões neurológica ele realiza uma manobra de redução que traz a cabeça do rádio de volta ao seu lugar. A dor cessa e os movimentos voltam normalmente em alguns minutos. Em geral a manobra gera pouca dor e não tem necessidade de ser reallizada com anestesia ou sedação. Em raros casos ao ocorrer a luxação, o ligamento anular, um dos responsáveis pela estabilização da cabeça do rádio, pode ser machucado. Nesses casos a criança irá permanecer com dor apesar da posição adequada do osso, sendo indicado imobilizaçao com tala. Após 1 semana a criança deverá ser reavaliada.
     A pronação dolorosa é uma doença benigna e não costuma deixar sequelas. Algumas crianças cursam com pronações dolorosas de repetição, devendo os cuidadores receberem orientações sobre como prevení-la.

Créditos: Dr César Luiz Betoni Guglielmetti (CRM 130301)
                Ortopedista e Traumatologista especialista em Ombro e Cotovelo
                www.cesarbetoni.com

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Monilíase oral

A monilíase oral também é conhecida como candidíase oral ou “sapinho”. É caracterizada por placas brancas na boca e na língua, principalmente nos menores de 6 meses (sendo bastante frequente nos recém-nascidos).  Essas placas são dolorosas, levando a irritabilidade, choro e dificuldade de mamar nos bebês. Frequentemente é confundida com acúmulo de leite, mas ao se realizar a higiene oral, essas placas estão bem aderidas e saem com dificuldade, deixando o local avermelhado podendo, inclusive, sangrar.



A monilíase é uma infecção fúngica causada pela Candida albicans. Esse fungo está presente na nossa flora e causa infecção quando há um desequilíbrio da flora bacteriana. Isso pode ocorrer por doenças, uso de antibióticos, estresse, bem como no uso de bicos artificiais (mamadeira e chupeta), absorventes de seio de algodão e má higiene bucal. Logo, uma das melhores maneiras de se evitar o sapinho é manter a higiene adequada da boca do bebê, realizar trocas frequentes do absorvente de seio (a combinação da umidade com o leite e o calor torna esse ambiente propício para o crescimento de fungos) e manter os mamilos secos e arejados entre as mamadas, evitar bicos artificiais ou mantê-los bem higienizados e esterilizados.

O tratamento da monilíase oral envolve o uso de antifúngico e manutenção da higiene oral. Portanto, se você notar esse tipo de placa branca na boca do seu filho, entre em contato com o pediatra para o tratamento adequado e efetivo.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Estomatite

Estou de volta!! Meu sumiço no blog tem uma maravilhosa explicação: meu filho nasceu!!! E como a maioria das mães em licença maternidade, tenho frequentado bastante grupos de mães. Foi em um grupo que vi uma mãe com dúvidas sobre estomatite. Está aí um tema interessante, já que a estomatite é uma infecção viral bastante frequente em crianças.







Os sintomas mais comuns são febre (podendo ser bem alta), lesões aftosas pela boca e pela garganta e dor local.
É causada principalmente pelo herpes vírus tipo 1 (HSV 1) ou coxsackie vírus. Como a maioria das infecções virais, a estomatite dura entre 7 a 10 dias, sendo a febre o primeiro sintoma a desaparecer. Infelizmente não há tratamento específico para a estomatite. Deve-se medicar a criança para febre e dor com analgésicos e anti-térmicos. É importante manter a hidratação, já que as lesões podem atrapalhar muito na hora de se alimentar e ingerir líquidos! Evite bebidas quentes e ácidas. Nada de suquinho de laranja para evitar que arda muito!! Na hora de oferecer alimentos, priorize aqueles com consistência pastosa ou líquida e de preferência menos quentes. Oriento gelatina, sorvete, leite e sucos. Vale lembrar que sorvete no frio não faz, por si só, que a criança pegue pneumonia ou amigdalite. Costumo falar para os pais que se sorvete causasse essas infecções, Kibon, Nestlé e Häagen Dazs estariam falidas, rs!!! É muito importante manter a higiene bucal!! E acima de tudo, ter muita paciência, pois as crianças tendem a ficar bastante irritadas... não é nada fácil ter várias aftas na boca, febre e o mal estar que acompanha os quadros febris.
Sempre avise seu pediatra sobre as aftas... é interessante descartar a presença de infecção secundária!!

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Minha barriga dói!!!

     Por solicitação de uma mãe, vamos falar hoje sobre dor abdominal. Esse é um tema muito frequente nos livros e nos consultórios de pediatria. Tão frequente mesmo que o estranho é não ter paciente em idade escolar que a mãe não traga a queixa de "ele(a) reclama sempre de dor de cabeça, barriga e/ou nas pernas". No caso da dor abdominal, a pergunta seguinte é "a senhora acha que pode ser verme?".
     Estamos falando hoje sobre as dores recorrentes da infância, sendo a dor abdominal, em membros e cefaléia as mais prevalentes. Como normalmente as queixas são vagas e, principalmente, subjetivas, sua abordagem também não é tão simples assim. A dor abdominal recorrente foi definida em 1958 como "ocorrência de pelo menos 3 episódios de dor durante um período de pelo menos 3 meses, com intensidade suficiente para interferir nas atividades habituais da criança. Ela pode ter causas orgânicas ou psicossociais. As causas orgânicas podem ser de origem gastrointestinal (constipação crônica, doença inflamatória intestinal, intolerância a lactose, parasitose intestinal, refluxo gastroesofágico, doença celíaca, úlcera péptica, gastrite, alterações funcionais, aerofagia), urinárias (infecção do trato urinário, cálculo renal), ginecológicas (cólicas menstruais, cisto de ovário, doença inflamatória pélvica) e sistêmicas.
     Apesar de trazer grande angústia aos pais, a dor abdominal recorrente tem baixa chance de estar associada a alguma causa orgânica, isto é, doença física.



     Mas o seu diagnóstico é de exclusão, sendo necessário uma boa anamnese, exame físico e alguns exames complementares.
     É necessário caracterizar a dor quanto a sua frequência, intensidade, desencadeantes, fatores de melhora e de piora e se há queixas de outras dores recorrentes associadas. É importante avaliar se existe na família alguém com queixa de dor ou doença crônica. Se o relacionamento com pais, irmão, amigos e escola está tranquilo. É interessante também observar qual a reação dos pais e da família frente à queixa de dor.
     É importante avaliar se há algum sinal de alerta. São eles:
  • dor fixa em região longe do umbigo,
  • dor intensa que acorda a criança no meio do sono,
  • sinais sugestivos de doença como a perda de peso, parada ou desaceleração do cresicmento, febre recorrente, vômitos importantes, aumento do volume abdominal, diarréia crônica, sangramento gastrointestinal, dores articulares,
  • história familiar de anemia falciforme, úlcera péptica, doença inflamatória intestinal e doença celíaca
     Na ausência de sinais de alerta e com exame físico normal, torna-se desnecessário a realização de exames invasivos e onerosos. Dessa forma, se o seu filho reclama constantemente de dor de barriga mas não apresenta sinais de alerta, saiba que essa queixa é normal e que dificilmente estará associada a alguma doença grave (principal preocupação dos pais). Mas lembre-se de comentar sobre essa queixa na próxima consulta com o pediatria do seu filho, especificando aquelas informações importantes (frequência, intensidade, localização da dor, desencadeantes, fatores de melhora e de piora).