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quinta-feira, 29 de outubro de 2015

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Pronação dolorosa

     Recentemente atendi no consultório um paciente que teve provação dolorosa. No momento da lesão, esses pais ficaram muito assustados e imaginaram que necessitaria de uma abordagem mais invasiva do médico. Mas ficaram positivamente impressionados com a rápida resolução após o atendimento do ortopedista. Por isso, hoje decidi falar sobre esse tema. Mas achei mais apropriado que um ortopedista, especialista em doenças do ombro e do cotovelo, escrevesse sobre o assunto. Portanto, cedo espaço para o Dr César Luiz Betoni Guglielmetti.


     O cotovelo é uma articulação formada por 3 ossos: úmero, rádio e ulna. Entre eles existem ligamentos e a cápsula articular que conferem a estabilidade para que seu funcionamento ocorra de maneira adequada, isto é, que a congruência entre os ossos se mantenha apesar das cargas aplicadas sobre eles. 


     Também conhecida como "cotovelo da babá", a pronação dolorosa é uma lesão que ocorre no cotovelo de crianças. Na maioria das vezes a história é bem típica. Ocorre em situações em que um adulto para evitar uma queda ou em uma brincadeira ou para levantar a criança, a traciona pela mão ou pelo antebraço. Em alguns casos a história não é tão típica assim ou os cuidadores não estavam presentes no momento da lesão, percebendo apenas que a criança não está movimentando normalmente o membro. Quando ocorre essa tração excessiva no cotovelo, a cabeça do rádio pode deslocar, levando a uma luxação/subluxação (perda de sua congruência em relação ao úmero e à ulna). Tal lesão é mais frequente em crianças entre 18 meses e 4 anos, podendo também acontecer antes ou depois dessa faixa etária. Nessa idade existe uma frouxidão ligamentar aumentada nas articulações, fácil de se perceber pela alta flexibilidade das crianças e dos bebês. 
     No momento da luxação a criança sente dor importante e após alguns minutos a dor está presente apenas quando movimenta o braço. Assim ela tende a deixar o braço imóvel ao lado do corpo. É nesse momento que os cuidadores da criança percebem que algo está errado, que não foi apenas dor e que será necessária avaliação médica. O mais indicado a se fazer é levar com urgência a criança para passar com um ortopedista.
     O tratamento é simples. Após o ortopedista afastar a presença de fraturas e de lesões neurológica ele realiza uma manobra de redução que traz a cabeça do rádio de volta ao seu lugar. A dor cessa e os movimentos voltam normalmente em alguns minutos. Em geral a manobra gera pouca dor e não tem necessidade de ser reallizada com anestesia ou sedação. Em raros casos ao ocorrer a luxação, o ligamento anular, um dos responsáveis pela estabilização da cabeça do rádio, pode ser machucado. Nesses casos a criança irá permanecer com dor apesar da posição adequada do osso, sendo indicado imobilizaçao com tala. Após 1 semana a criança deverá ser reavaliada.
     A pronação dolorosa é uma doença benigna e não costuma deixar sequelas. Algumas crianças cursam com pronações dolorosas de repetição, devendo os cuidadores receberem orientações sobre como prevení-la.

Créditos: Dr César Luiz Betoni Guglielmetti (CRM 130301)
                Ortopedista e Traumatologista especialista em Ombro e Cotovelo
                www.cesarbetoni.com

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Meu bebê pode tomar suco?

Todas as mães conhecem a importância do leite materno oferecido de forma exclusiva até os 6 meses. Esse é um assunto amplamente divulgado, mas e passado os 6 meses? Qual é a mãe que não fica ansiosa com a perspectiva de oferecer a primeira frutinha, a papa salgada e... o suquinho de laranja lima? Pois é, atualmente não se recomenda o consumo de suco de frutas naturais para as crianças menores de 1 ano. Tanto a Academia Americana de Pediatria quanto a Sociedade Brasileira de Pediatria recomendam fortemente a ingestão de água e que a fruta deve ser oferecida in natura (seja ela amassadinha ou em pedaços conforme a técnica BLW). Daí vem a clássica pergunta: mas qual o problema se sempre foi dado suco para os bebês? Verdade, os sucos eram a vedete da introdução alimentar, mas a medicina vive em constante avanço e descobriu-se que o suquinho não faz assim bem para a saúde. Estudos mostraram que esse consumo está associado a um risco maior de obesidade e de diabetes tipo 2. Um estudo publicado em 2013 no British Medical Journal mostrou que o consumo diário de suco de frutas (um ou mais copos) eleva em até 21% o risco de desenvolver diabetes tipo 2. Segundo o mesmo estudo, o consumo frequente de frutas inteiras (ao invés do suco) reduz o risco da diabetes tipo 2 em 7%. Estão aqui alguns motivos pelo qual o suco não é um alimento adequado para os nossos pequenos bebês.
Em primeiro lugar, quando uma mãe prepara um suquinho, para conseguir alguns mililitros é necessário utilizar várias frutas. Por exemplo, pra fazer um suco de laranja lima, vão algumas unidades da laranja. Assim, concentra-se bastante a quantidade do açúcar da fruta, a frutose. Isso significa que para dar uns 60ml de suco, estamos oferecendo uma quantidade bem grande de frutose.
Em segundo lugar, o suco hidrata menos do que a água. Muitas mães acreditam erroneamente que por oferecer suco, a criança não necessita de água.
Em terceiro lugar, normalmente os sucos são dados na mamadeira. Mas para que não entupa o bico, as mães costumam a coar o suco. Com isso, todas as fibras são jogadas no lixo.
Em quarto lugar, o suco acrescenta muito pouco nutricionalmente, mas aumenta bastante o risco de cáries.
Então quer dizer que o bebê não pode tomar suco de forma alguma? Não é bem por aí. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, os sucos devem ser evitados, mas se forem administrados, que sejam oferecidos em copo, após as refeições e no máximo 100ml/dia para melhorar a absorção do ferro presente nos alimentos.
Portanto, se a vontade de dar suco for muito grande, lá vão algumas dicas importantes:
1. Não dê na mamadeira. Utilize um copo de transição ou copo infantil mais adequado para o seu filho.
2. Nada de coar. Deixe seu filho ingerir as fibras que as frutas nos oferecem. O intestino dele, com certeza, agradecerá.
3. Tente respeitar a quantidade de fruta que seu filho normalmente comeria. Se é suco de laranja e ele chuparia meia laranja, faça com meia a uma laranja.
4. Nunca, nunca mesmo, adicione açúcar ao suco. Também não ofereça sucos artificiais ou de caixinha.
5. Não se esqueça de oferecer água ao longo do dia. Comendo papa salgada, a necessidade de beber água existe.
6. Não substitua uma refeição pelo suco de frutas.
7. Está comendo fruta e papa? Não se esqueça de higienizar a boca do seu filho, seja escovando os dentes ou limpando as gengivas, língua e céu da boca.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

O que comer no período de amamentação?

Recomenda-se que as mães que amamentam tenham uma alimentação bastante saudável e que bebam muita água. A maioria dos alimentos não afetam a amamentação. Deve-se, porém, evitar alimentos estimulantes como café, chá preto, chá mate e refrigerantes, pois podem deixar o bebê mais agitado. Bebidas alcoólicas são desaconselháveis nesse período, assim como o cigarro. Medicamentos devem ser tomados apenas com orientação médica, já que alguns são incompatíveis com a amamentação.



sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Meu leite é fraco?

Não, o leite materno nunca é fraco. Ele é adequado para a necessidade de cada criança. O aspecto do leite materno varia de acordo com a fase da amamentação. Nos primeiros dias, ele vem em menor quantidade e de cor mais clara (alguns diriam mais ralo). Esse é o colostro, um leite concentrado, bastante nutritivo e com muitos anticorpos.
O leite também muda conforme o tempo de amamentação. O leite do início da mamada, chamado de leite anterior, é rico em água. Ele é importante para hidratar o bebê. O leite do final da mamada, o leite posterior, tem bastante gordura levando a sensação de saciedade.


quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Vantagens do aleitamento materno

O leite materno é o alimento mais completo que existe para o bebê até o sexto mês de vida. Dessa forma, é recomendação das principais entidades pediátricas e da Organização Mundial de Saúde o aleitamento materno exclusivo nos 6 primeiros meses de vida. Isso significa que não há necessidade de oferecer água, chá, fruta ou outros alimentos nessa fase.
O leite materno, por ser composto por proteína humana, é fácil de digerir. Sua composição é adequada para o desenvolvimento dos órgãos do bebê, principalmente os rins e os intestinos. Assim, não leva a sobrecarga desses órgãos. Dessa forma, um bebê que mama adequadamente, tem urina clara e em grande quantidade. O aleitamento materno, também reduz o risco de alergia a proteínas estranhas, como a do leite de vaca.
Por possuir células de defesa (principalmente no colostro), o leite materno protege os bebês contra doenças.
Sua praticidade é inegável, já que vem pronto, na temperatura adequada e está disponível a qualquer momento. Além disso, não tem custo financeiro.
A amamentação alimenta não apenas o bebê, mas o vínculo mãe-filho, já que envolve carinho, trocas de olhares... é um momento exclusivo do bebê e da mamãe.
Para a mãe, amamentar promove maior perda de peso, com mais rápida recuperação do peso pré-gravídico. É responsável também pela redução de sangramento após o parto, além de retardar o retorno da menstruação.
Fica claro que não faltam motivos para se oferecer leite materno a um bebê. 


segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Vacina contra meningite B

A “nova” vacina contra meningite B foi lançada recentemente e vem gerando bastante dúvida nos pais quanto a necessidade de vacinar e os seus riscos. Digo que a vacina é nova entre aspas, porque ela já existe há alguns anos fora do Brasil. Em janeiro de 2013 foi liberada para o uso na União Européia e em agosto do mesmo ano, na Austrália. Assim, boa parte dos efeitos colaterais já foram descritos. Os principais relatados são febre e dor local.
A meningite meningocócica é uma infecção bacteriana gravíssima causada pela Neisseria meningitidis, o meningococo. Já foram identificados 13 sorotipos diferentes como responsáveis pela doença meningocócica invasiva. Dentre eles, os mais frequentes são: A, B, C, W135 e Y.  Em torno de 90% dos casos de doença meningocócica relatados no mundo são causados pelos sorotipos A, B e C. Os sorogrupos B e C são mais frequentes na Europa e no continente americano. Os sorogrupos A e C predominam na Ásia e na África. No Brasil, o sorotipo B é responsável por aproximadamente 20% dos casos, sendo o meningococo C o mais frequente.
Apesar de ter incidência baixa (1 a 2 casos a cada 100.000 habitantes), é uma doença de evolução rápida, de grande gravidade, de difícil tratamento e com alta letalidade, podendo chegar a 70%. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 20% das pessoas que tiveram meningite ficaram com algum tipo de sequela como surdez, amputações, crises convulsivas e outras alterações neurológicas.
Sua transmissão é através do contato com pessoas doentes ou portadoras da bactéria. É transmitida por via respiratória através de gotículas de saliva, espirro e tosse.
Os principais sintomas da meningite são febre, dor de cabeça, vômitos, rigidez de nuca, convulsão e petéquias (manchas vermelhas na pele causadas por lesão dos vasos sanguíneos).
Em 2010, a vacina contra o meningococo C foi introduzida no Programa Nacional de Imunização levando a uma queda importante das formas graves da infecção nas crianças menores de 4 anos. A vacina contra a meningite B foi recomendada e incluída nos calendários vacinais da Sociedade Brasileira de Pediatria e Sociedade Brasileira de Imunizações no seguinte esquema:
-       em menores de 6 meses, a primeira dose poderá ser dada a partir dos 2 meses de vida, sendo necessário 3 doses com intervalo de 2 meses entre elas e 1 reforço após o primeiro ano de vida.
-       para as crianças entre 6 meses e 1 ano, são 2 doses com intervalo de 2 meses entre elas e 1 reforço após o primeiro ano de vida.
-       para os maiores de 1 ano, são 2 doses da vacina com intervalo de 2 meses.



A vacina está disponível em clínicas particulares de vacinação a um custo ainda elevado. Não há previsão para sua entrada no Programa Nacional de Imunização, uma vez que numericamente, o meningococo B não é responsável por tantos casos de mortes ou incapacitações, então não há um interesse de custo x benefício para a vacinação em massa. Porém individualmente, pode prevenir uma infecção gravíssima e de alta letalidade.

Cada pediatra tem um posicionamento frente aos assuntos mais polêmicos como está sendo essa vacina. Eu sou uma das pediatras que indicam a vacina. Isso porque em minha prática médica pude, infelizmente, presenciar alguns casos de meningite meningocócica e seus tristes desfechos. Apesar de ser responsável por 20% dos casos, quando ela acomete alguém que amamos, nossa estatística passa a ser 100% (isso de uma doença que tem grandes chances de matar ou de deixar sequelas). Acredito que se há uma forma de previní-la, por quê não? Considero as vacinas um grande avanço da medicina. E isso se torna evidente quando vemos surtos de doenças antes controladas em áreas onde o movimento anti-vacina tem força. Também não acho que é o caso de sair desesperadamente vacinando seu filho, já que não estamos vivenciando um surto da doença. Mas se houver a possibilidade financeira, acho uma forma importante de proteção dos nossos filhos e, portanto, recomendo aos meus pacientes.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Importante alerta aos pais sobre a posição correta de se colocar o bebê para dormir. Apesar de muitas pessoas ainda orientarem dormir de barriga para baixo ou de lado, a única posição segura e que reduz o risco da morte súbita do lactente é a de barriguinha para cima!! É importante também o berço sem travesseiro, kit berço, cobertor, ursos de pelúcia ou almofadas!! Evitar super aquecimento, além de outros fatores!!

Veja a matéria que apareceu na revista Crescer: 55% dos bebês ainda dormem em situações que favorecem a morte súbita

terça-feira, 21 de julho de 2015

Higiene oral

Nas últimas doenças que acometem a cavidade oral eu falei sobre a importância da higiene oral. E como se faz isso? Precisa limpar mesmo nos bebês sem dentes? E naqueles que só mamam no seio materno?

Sim, a higiene oral é importante em todas as fases da vida.

Nos bebês sem dentes é realizada uma vez ao dia, todos os dias. Ela pode ser feita com gaze umedecida ou uma fraldinha (utilizada apenas para essa função) limpa umedecida em água filtrada e/ou fervida. É importante limpar toda gengiva, parte interna da bochecha e língua. Pode-se utilizar também a dedeira de silicone, mas apenas enquanto não houver dentes. E mais recentemente surgiram os lencinhos umedecidos para limpeza oral que são bastante eficientes e práticos.


Nos bebês com dentes, a escovação deve ser feita 2 vezes ao dia. Nessa fase é muito importante o uso de escova de dentes apropriada para bebês. É também importante a utilização de pasta de dente com flúor. Isso mesmo, com flúor. A pasta deve conter flúor na concentração de 1000 a 1100 ppm. A medida varia conforme a idade da criança:
     - menores de 2 anos: equivalente a meio grão de arroz
     - entre 2 e 4 anos: equivalente a um grão de arroz
     - acima de 4 anos: equivalente a uma ervilha

A partir do momento que surgir o primeiro dentinho, está na hora de agendar a primeira visita com o odontopediatra.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Monilíase oral

A monilíase oral também é conhecida como candidíase oral ou “sapinho”. É caracterizada por placas brancas na boca e na língua, principalmente nos menores de 6 meses (sendo bastante frequente nos recém-nascidos).  Essas placas são dolorosas, levando a irritabilidade, choro e dificuldade de mamar nos bebês. Frequentemente é confundida com acúmulo de leite, mas ao se realizar a higiene oral, essas placas estão bem aderidas e saem com dificuldade, deixando o local avermelhado podendo, inclusive, sangrar.



A monilíase é uma infecção fúngica causada pela Candida albicans. Esse fungo está presente na nossa flora e causa infecção quando há um desequilíbrio da flora bacteriana. Isso pode ocorrer por doenças, uso de antibióticos, estresse, bem como no uso de bicos artificiais (mamadeira e chupeta), absorventes de seio de algodão e má higiene bucal. Logo, uma das melhores maneiras de se evitar o sapinho é manter a higiene adequada da boca do bebê, realizar trocas frequentes do absorvente de seio (a combinação da umidade com o leite e o calor torna esse ambiente propício para o crescimento de fungos) e manter os mamilos secos e arejados entre as mamadas, evitar bicos artificiais ou mantê-los bem higienizados e esterilizados.

O tratamento da monilíase oral envolve o uso de antifúngico e manutenção da higiene oral. Portanto, se você notar esse tipo de placa branca na boca do seu filho, entre em contato com o pediatra para o tratamento adequado e efetivo.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Doença mão-pé-boca

Continuando nos quadros infecciosos que causam lesões na boca, vamos falar hoje sobre a doença mão-pé-boca. Assim como na estomatite, ela é causada pelo vírus Coxsackie. É mais comum em crianças menores de 5 anos, mas pode acontecer nas mais diversas faixas etárias. Esse vírus é transmitido pela via oral-fecal, através de fezes, saliva, outras secreções, assim como objetos e alimentos contaminados.
O período de incubação vai de 1 a 7 dias e mesmo depois de não apresentar mais sintomas, o vírus pode ser transmitido pelas fezes por mais 4 semanas, aproximadamente.

SINTOMAS

A doença é caracterizada por febre (normalmente alta, porém ela não é obrigatória), aftas na cavidade oral e lesões vesiculosas (bolhas) nas mãos e nos pés. Podem também surgir lesões vermelhas pelo corpo, principalmente nas nádegas. Essas lesões normalmente não são acompanhadas de dor ou prurido (coceira).
Devido às lesões aftosas na boca, a doença mão-pé-boca pode ser confundida com as estomatites. E pelas lesões do corpo, pode ter como diagnóstico diferencial a catapora e as alergias a picadas de insetos.


DIAGNÓSTICO

O diagnóstico é clínico, levando-se em consideração a história, sintomas e o exame físico. Existem exames de sangue e de fezes que podem identificar o vírus, mas são desnecessários para o diagnóstico.


TRATAMENTO

Como a maioria das infecções virais, o tratamento é sintomático. Portanto, se houver febre, mal estar e dor no corpo, pode-se utilizar antitérmicos e analgésicos. É muito importante manter a hidratação da criança, lembrando que lesões na boca podem atrapalhar e muito a ingestão de líquidos. Assim, evite bebidas quentes e ácidas. Dê preferência às bebidas mais frias, assim como os alimentos com consistência pastosa e líquida. Como sugerido nos casos de estomatite, o sorvete é muito bem vindo nesses quadros!!
Para as crianças que frequentam escolinha, durante a infecção elas devem permanecer em repouso em casa.



Sempre avise seu pediatra sobre o surgimento das lesões.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Estomatite

Estou de volta!! Meu sumiço no blog tem uma maravilhosa explicação: meu filho nasceu!!! E como a maioria das mães em licença maternidade, tenho frequentado bastante grupos de mães. Foi em um grupo que vi uma mãe com dúvidas sobre estomatite. Está aí um tema interessante, já que a estomatite é uma infecção viral bastante frequente em crianças.







Os sintomas mais comuns são febre (podendo ser bem alta), lesões aftosas pela boca e pela garganta e dor local.
É causada principalmente pelo herpes vírus tipo 1 (HSV 1) ou coxsackie vírus. Como a maioria das infecções virais, a estomatite dura entre 7 a 10 dias, sendo a febre o primeiro sintoma a desaparecer. Infelizmente não há tratamento específico para a estomatite. Deve-se medicar a criança para febre e dor com analgésicos e anti-térmicos. É importante manter a hidratação, já que as lesões podem atrapalhar muito na hora de se alimentar e ingerir líquidos! Evite bebidas quentes e ácidas. Nada de suquinho de laranja para evitar que arda muito!! Na hora de oferecer alimentos, priorize aqueles com consistência pastosa ou líquida e de preferência menos quentes. Oriento gelatina, sorvete, leite e sucos. Vale lembrar que sorvete no frio não faz, por si só, que a criança pegue pneumonia ou amigdalite. Costumo falar para os pais que se sorvete causasse essas infecções, Kibon, Nestlé e Häagen Dazs estariam falidas, rs!!! É muito importante manter a higiene bucal!! E acima de tudo, ter muita paciência, pois as crianças tendem a ficar bastante irritadas... não é nada fácil ter várias aftas na boca, febre e o mal estar que acompanha os quadros febris.
Sempre avise seu pediatra sobre as aftas... é interessante descartar a presença de infecção secundária!!

segunda-feira, 10 de março de 2014

Vacina contra HPV

          Começa hoje a campanha de vacinação contra o HPV. Ela abrange meninas de 11 a 13 anos e será oferecida em postos de saúde e em escolas (públicas e privadas). Existem 2 vacinas disponíveis para a imunização. A utilizada na campanha é quadrivalente, responsável pela proteção contra 4 subtipos (6, 11, 16 e 18).

          A infecção pelo HPV é a doença sexualmente transmissível mais comum atualmente. Estima-se que 290 milhões de mulheres no mundo são portadoras do HPV, sendo que dessas 32% foram infectadas pelos tipos 16 e 18, responsáveis pelo câncer de colo de útero.
          A transmissão ocorre pelo contato direto com a pele ou mucosas infectadas através de relação sexual ou de mãe para filho no momento do parto.
          Atualmente existem mais de 100 tipos de HPV, sendo alguns deles responsáveis pelo condiloma acuminado (também conhecidos como verruga genital, crista de galo, figueira ou cavalo de crista) e câncer (principalmente no colo de útero e no ânus).

          O esquema de vacinação proposto pelo Ministério da Saúde corresponde a 3 doses, sendo a segunda dose 6 meses após a primeira e a terceira 5 anos após a primeira. A meta dessa campanha é atingir 80% do público alvo (5,2 milhões de meninas). Em 2015 deverão ser imunizadas as meninas entre 9 e 11 anos e a partir de 2016, as de 9 anos.






ALGUMAS POLÊMICAS


          Há pais resistentes a vacinar suas filhas contra o HPV por considerarem esse um “estímulo” para o início de uma vida sexual precoce. Vale, porém, lembrar que algumas vacinas aplicadas nos bebês também causam doenças graves como a Hepatite B (dada ao nascimento) e podem ser transmitidas por via sexual. Mais do que evitar uma medida de saúde, essa é uma boa oportunidade de ter uma conversa franca com os filhos sobre sexualidade e a importância de se prevenir.


          Outra polêmica reside no esquema vacinal oferecido pelo SUS. Nas clínicas privadas, recomenda-se a vacinação contra o HPV antes do início da vida sexual (mas isso não quer dizer que as mulheres sexualmente ativas não devam tomar a vacina) sendo o intervalo entre a primeira e a segunda dose de 1 a 2 meses, e de 6 meses entre a primeira e a terceira dose. Isso significa que após 6 meses da primeira dose, uma adolescente completaria sua imunização. Em compensação, no SUS esse período passaria para 5 anos podendo levar ao esquecimento da segunda e da terceira doses, reduzindo assim a sua eficácia. Acontece que a vacina contra o HPV nas clínicas particulares possuem um custo elevado. Dessa forma, não há como negar que a introdução da vacina contra o HPV no calendário vacinal é uma boa estratégia de saúde pública. Mas vale a pena conversar com o seu pediatra sobre a vacinação e qual esquema adotar.